COMUMENTE É ASSIM
Cada um ao nascer
traz sua dose de amor,
mas os empregos,
o dinheiro,
tudo isso,
nos resseca o solo do coração.
Sobre o coração levamos o corpo,
sobre o corpo a camisa,
mas isto é pouco.
Alguém
imbecilmente
inventou os punhos
e sobre os peitos
fez correr o amido de engomar. Quando velhos se arrependem.
A mulher se pinta.
O homem faz ginástica
pelo sistema Muller.
Mas é tarde.
A pele enche-se de rugas.
O amor floresce,
floresce,
e depois desfolha
Cada um ao nascer
traz sua dose de amor,
mas os empregos,
o dinheiro,
tudo isso,
nos resseca o solo do coração.
Sobre o coração levamos o corpo,
sobre o corpo a camisa,
mas isto é pouco.
Alguém
imbecilmente
inventou os punhos
e sobre os peitos
fez correr o amido de engomar. Quando velhos se arrependem.
A mulher se pinta.
O homem faz ginástica
pelo sistema Muller.
Mas é tarde.
A pele enche-se de rugas.
O amor floresce,
floresce,
e depois desfolha
.O meu nirvana
No alheamento da obscura forma humana,
De que, pensando, me desencarcero,
Foi que eu, num grito de emoção, sincero
Encontrei, afinal, o meu Nirvana!
Nessa manumissão schopenhauereana,
Onde a Vida do humano aspecto fero
Se desarraiga, eu, feito força, impero
Na imanência da Idéia soberana
Destruída a sensação que oriunda fora
Do tacto — ínfima antena aferidora
Destas tegumentárias mãos plebéias—
Gozo o prazer, que os anos não carcomem,
De haver trocado a minha forma de homem
Pela imortalidade das Idéias!Augusto do Anjos
Do tacto — ínfima antena aferidora
Destas tegumentárias mãos plebéias—
Gozo o prazer, que os anos não carcomem,
De haver trocado a minha forma de homem
Pela imortalidade das Idéias!Augusto do Anjos
Quixeramobim em fotolembrança
O nascer da morte
no começo do dia.
Casa de Antonio Conselheiro
Berço do Conselheiro,
Barco do Fausto Nilo,
Casarão de cancioneiro,
Sonho que tamborilo.
Museu de Jorge Simão
Vale de mistério, veio de paixão,
Vela do tempo, voz de Jorge Simão.
Capela do Cemitério
Nave-cilindro,
Navio celeste,
Doce melindro,
Canção do agreste.
Barragem
Barragem de lendas, luar de anil,
Águas verdes, canção de pastoril,
Pedras douradas, sopro de abril.
Casa de Câmara Guidinha do poço,
Marica Lessa,
Acorde em festa, viaje sem pressa.
Casa da Câmara, teu sonho não cessa.
Prefeitura Sobrado secular,
Solar de nobreza,
Solfeje a paz do sabiá
Em sonho azul-turqueza.
Matriz
Dobram os sinos da matriz,
Santo Antônio está em festa,
Descem os anjos em seresta:
Quixeramobim dorme feliz.
Estação de trem
Estaçãozinha de cor branca e rosa,
Não aperte meu peito assim,
Não apresse meu coração de querubim,
Faz de mim teu amante em verso e prosa.
Hospital do Boqueirão
São Nicolau, nosso guia e pastor,
Vele o hospital no Alto do Boqueirão,
Seja julho ou Natal, sempre o mesmo amor,
Pelos enfermos de qualquer cor e devoção.
Quixeramobim Club
Quixeramobim Club do luar de junho,
Das manhãs de maio, das tardes de setembro.
Olhares perdidos, sonho testemunho,
Primeiro beijo, baile de dezembro.
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Diogo Fontenelle
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